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Planos de saúde podem ter reajuste extra de até 20%; entenda proposta

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Os planos de saúde individuais podem ficar ainda mais caros nos próximos meses. Uma proposta em análise na Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) prevê a criação de um novo mecanismo de reajuste que, na prática, poderá elevar as mensalidades em até 20%, além dos aumentos já autorizados anualmente e dos reajustes por faixa etária.

A medida ainda não foi aprovada, mas já preocupa consumidores e entidades do setor. Caso avance, o novo índice poderá atingir aproximadamente 7,7 milhões de brasileiros que possuem planos individuais ou familiares.

A proposta integra um processo de revisão técnica conduzido pela ANS e chegou a ser discutida internamente pela diretoria da agência. Segundo informações divulgadas pela coluna Grande Angular, do Metrópoles, o tema pode voltar à pauta da Diretoria Colegiada ainda neste mês.

Apesar disso, a implementação enfrenta entraves judiciais e permanece suspensa por decisão da Justiça Federal.

O que muda com o novo reajuste

Hoje, os planos individuais seguem um reajuste anual definido pela ANS, além dos aumentos previstos quando o beneficiário muda de faixa etária.

A proposta em discussão criaria um mecanismo adicional de atualização das mensalidades, conhecido como “revisão técnica”. Na prática, esse instrumento permitiria novos reajustes em determinadas situações, elevando ainda mais o custo para os consumidores.

O grupo mais afetado seria justamente quem depende dos planos individuais, modalidade frequentemente contratada por idosos, profissionais autônomos e pessoas que não têm acesso a planos empresariais.

Justiça suspendeu consulta pública

A discussão sobre a criação do novo reajuste acabou sendo interrompida pela Justiça.

Em decisão da 17ª Vara Federal Cível do Distrito Federal, o juiz Diego Câmara determinou a suspensão da consulta pública promovida pela ANS sobre quatro temas regulatórios, incluindo a chamada revisão técnica.

A ação foi proposta pela Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge), que argumentou que o prazo para debate era insuficiente diante da relevância do assunto.

A ANS recorreu da decisão, mas o entendimento foi mantido em segunda instância.

Tribunal cobra estudos antes de nova discussão

Ao analisar o recurso, a desembargadora federal Kátia Balbino decidiu manter a suspensão até que a agência cumpra uma série de exigências.

Entre elas estão a realização de uma Análise de Impacto Regulatório (AIR), a reabertura do prazo para manifestações da sociedade e a divulgação integral dos documentos técnicos que embasam a proposta.

Na decisão, proferida em junho de 2025, a magistrada destacou que a abrangência da medida e seus possíveis impactos financeiros justificam uma discussão mais ampla antes de qualquer alteração nas regras dos planos de saúde.

Enquanto isso, a criação do novo índice permanece sem previsão para entrar em vigor, embora a ANS continue defendendo a revisão do modelo atual.