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Conflito entre Israel e Irã entra no 9º dia sem trégua e preocupa ONU

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O conflito entre Israel e Irã chegou neste sábado (21) ao nono dia consecutivo, sem sinais de cessar-fogo ou redução das hostilidades. A escalada bélica começou no dia 13 de junho, quando Israel lançou uma ofensiva com o objetivo declarado de neutralizar o programa nuclear iraniano, considerado por Tel Aviv uma ameaça direta à sua existência.

Desde então, ataques aéreos e trocas de mísseis têm sido registrados diariamente, com centenas de mortos e milhares de feridos nos dois países. De acordo com balanços oficiais, mais de 240 pessoas já morreram, mas instituições independentes afirmam que esse número pode ser significativamente maior.

A situação levou o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, a emitir um alerta enfático sobre o risco de descontrole total do conflito. “Estamos acendendo um fogo que ninguém poderá controlar”, afirmou Guterres na sexta-feira (20), ao pedir que todos os envolvidos e eventuais aliados “deem uma chance à paz”.

AIEA alerta para riscos nucleares; EUA avaliam participação

O temor de que o confronto ultrapasse fronteiras e envolva instalações nucleares mobilizou também a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). O diretor-geral da entidade, Rafael Grossi, alertou que ataques a locais com material atômico podem gerar liberações radioativas com consequências devastadoras tanto para os países diretamente envolvidos quanto para a comunidade internacional. Ele pediu “máxima contenção” e respeito às normas internacionais que regem o uso pacífico da energia nuclear.

Do lado iraniano, a retórica segue inflamada. O governo de Teerã prometeu retaliações ainda mais severas contra Israel e declarou que o país comandado por Benjamin Netanyahu “pagará um preço alto” pelos ataques. A intensificação do conflito ocorre em meio a movimentações dos Estados Unidos, que avaliam uma possível participação direta na guerra.

Um fator que chama atenção na diplomacia internacional é o papel do ex-presidente Donald Trump. O porta-voz da presidência iraniana, Majid Farahani, declarou à CNN que Trump poderia parar a guerra com um simples telefonema para Israel. “O presidente Trump pode facilmente parar a guerra com apenas uma ligação aos israelenses”, afirmou.

Trump, por sua vez, respondeu a jornalistas norte-americanos que, embora respeite o apelo, seria “difícil” atender ao pedido neste momento. “Se alguém está vencendo, é um pouco mais difícil fazer isso do que se alguém está perdendo”, declarou o ex-presidente, sinalizando que enxerga Israel em posição vantajosa no conflito.

Programa nuclear é pivô da crise

O centro da disputa é o programa nuclear do Irã. Israel afirma que o regime iraniano está a poucos passos de obter uma arma atômica, o que, segundo Tel Aviv, representa um risco existencial. Já o Irã garante que seu programa tem fins pacíficos, embora especialistas internacionais apontem avanços que ampliam a desconfiança sobre os objetivos de Teerã.

Em meio ao colapso diplomático, cresce o temor de que o conflito regional se transforme em uma guerra mais ampla, envolvendo potências globais e colocando em risco a segurança de todo o Oriente Médio. Por ora, os apelos por uma trégua continuam sem resposta.