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França protesta por professores e mais recursos: entenda quais são as reivindicações e como é o cenário no país em comparação com o Brasil

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As manifestações de estudantes do ensino médio e de universidades que ganharam força na França nesta semana incluem reivindicações por professores para substituir profissionais ausentes, reajustes salariais para servidores públicos e mais recursos para a administração pública.

Embora parte desses problemas também esteja presente no Brasil, os dois países têm sistemas educacionais diferentes e enfrentam desafios de naturezas distintas.

Dados recentes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) permitem comparar alguns desses aspectos. A Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (TALIS) 2024 ouviu professores e diretores de escolas e traz informações sobre jornada, contratos, salários, estresse e condições de trabalho. Já o relatório Education at a Glance 2026, divulgado em setembro, analisa, entre outros pontos, a falta de professores em diferentes sistemas educacionais.

A comparação mostra que a insatisfação dos professores existe nos dois países, mas não necessariamente pelos mesmos motivos.

💰 Salários: professores dos dois países relatam insatisfação

Na França, um professor da Educação Nacional recebeu, em média, € 3.090 líquidos por mês em 2024. O valor médio aumentou 6,4% em relação ao ano anterior. Descontada a inflação daquele ano, o aumento real foi de 4,3%.

Isso não significa, porém, que a questão salarial esteja resolvida no país. No TALIS 2024, apenas 27% dos professores franceses dos anos finais do ensino fundamental disseram estar satisfeitos com o salário. O índice não mudou significativamente em relação a 2018.

No Brasil, a satisfação é ainda menor: 22,3% dos professores disseram estar satisfeitos com o salário na mesma pesquisa. O índice aumentou quatro pontos percentuais desde 2018.

Uma diferença importante é que o Brasil possui um piso salarial profissional nacional para os professores da educação básica pública. Em 2026, o valor foi estabelecido em R$ 5.130,63 para uma jornada de 40 horas semanais, com reajuste de 5,4%.

No entanto, o piso não é o salário recebido por todos os professores brasileiros. Estados e municípios possuem planos de carreira próprios, e a remuneração efetivamente paga depende da rede, da jornada, da formação e da posição do profissional na carreira.

O que os números mostram

  • França: 27% dos professores estavam satisfeitos com o salário em 2024.
  • Brasil: 22,3% estavam satisfeitos.
  • Média da OCDE: 38,7%.

Os dados revelam que a insatisfação salarial é um problema nos dois países, mesmo que os salários não tenham exatamente o mesmo comportamento e as reivindicações tenham origens diferentes.

🕰️ Jornada: professores brasileiros passam mais tempo dando aulas

A diferença fica mais evidente quando se olha para a distribuição da jornada de trabalho.

Segundo o TALIS 2024, professores em tempo integral dos anos finais do ensino fundamental disseram trabalhar, em média:

Os números são médias declaradas pelos próprios professores. No caso brasileiro, a jornada total aumentou 4,6 horas por semana entre 2018 e 2024. Na França, não houve mudança significativa na jornada total no período.

Isso ajuda a qualificar a discussão sobre sobrecarga.

Os professores brasileiros relatam uma jornada total apenas um pouco maior que a dos franceses na pesquisa, mas passam cerca de nove horas a mais por semana em atividades de ensino.

Ao mesmo tempo, não seria correto concluir apenas a partir desses números que professores franceses trabalham menos ou enfrentam menor sobrecarga. A forma como o tempo é distribuído e o tipo de atividade realizada também influenciam as condições de trabalho.