
Um áudio fake do VAR voltou a ganhar espaço durante julgamento do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). Desta vez o conteúdo foi exibido pela promotoria da Quarta Comissão Disciplinar, que julgava os acontecimentos do Ba-Vi 508, o clássico entre Vitória e Bahia pela última rodada do Brasileirão. O auditor Roberto Maldonado reconheceu o erro e pediu para o áudio fosse desconsiderado.
Depois da exibição do vídeo, ele foi alertado por Matheus Moreira Saleão, advogado do Vitória. Roberto Maldonado, então, reconheceu que “não tinha verificado” o vídeo. Veja como foi o diálogo abaixo:
Matheus Moreira Saleão (advogado do Vitória):
— Apenas fazer um questionamento quanto a prova apresentada pela procuradoria. Tenho quase certeza que essa página é a mesma envolvida em um caso de áudio de VAR fake, se não é engano é um perfil de paródia.
Roberto Maldonado (procurador do STJD):
— Observando o vídeo me surgiu essa dúvida também. Só que tem um outro vídeo. O que eu pedi para exibir foi um vídeo só do lance do atleta mostrando a camisa e a reação dos outros atletas. Esse daí deveria estar na denúncia, mas eu não tinha verificado. Ele parece realmente, até pelo linguajar, até acredito que devemos desconsiderar esse vídeo.
Caso recente
Há um mês, o departamento jurídico do Internacional utilizou um áudio falso da cabine do VAR durante a defesa do zagueiro Victor Gabriel pela falta que provocou a fratura em Gabriel Pec, do Cruzeiro.
Três auditores do STJD já tinham proferido seu voto quando a auditora Aline Gonçalves questionou a defesa sobre a veracidade da prova utilizada.
Na sequência da sessão, os auditores discutiram a possibilidade de adiar o julgamento por 24 horas para verificar a veracidade da prova. Mas com o resultado já estava praticamente definido, o julgamento prosseguiu. Ao final da sessão, o advogado do Inter afirmou que não agiu de má-fé.
O julgamento do Ba-Vi
Cacá foi punido com dois jogos de suspensão por tentar rasgar a camisa de Jean Lucas durante comemoração do Bahia no Ba-Vi 508, vencido pelo Tricolor no último domingo. A decisão foi tomada pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva em julgamento nesta quinta-feira. Cabe recurso e efeito suspensivo.
- Bahia provoca Marinho, que tomou camisa de Jean Lucas no Ba-Vi: “Teste de elasticidade”
Marinho, que arrancou a camisa das mãos de Jean Lucas, foi punido com um jogo de suspensão convertido em advertência. O meia tricolor foi absolvido depois ser denunciado por provocar o público, e o Bahia foi condenado a pagar R$ 2 mil em multa por atraso. Leia abaixo as denúncias e as decisões:
- Cacá: punido com dois jogos de suspensão no artigo 258 (assumir atitude antidesportiva, reclamar de forma acintosa ou desrespeitar as regras de boa convivência no esporte; prevê pena de suspensão de uma a seis partidas);
- Marinho: punido com um jogo de suspensão convertido em advertênica no artigo 258 (assumir atitude antidesportiva, reclamar de forma acintosa ou desrespeitar as regras de boa convivência no esporte; prevê pena de suspensão de uma a seis partidas);
- Jean Lucas: absolvido no artigo 258-A (provocar o público durante partida, prova ou equivalente; prevê suspensão de duas a seis partidas);
- Esporte Clube Bahia: absolvido artigo 191 (deixar de cumprir, ou dificultar o cumprimento de regulamento; prevê multa R$ 100,00 a R$ 100.000,00) e condenado com multa de R$ 2 mil no artigo 206 (dar causa ao atraso do início da realização de partida; prevê multa de R$ 100 até R$ 1000 por minuto).
O trio esteve envolvido na confusão após o segundo gol do Bahia no clássico. Jean Lucas tirou a camisa e a ergueu em direção à torcida do Vitória. A comemoração do volante irritou alguns jogadores rubro-negros, principalmente Marinho e Cacá. Enquanto o atacante tirou a camisa das mãos de Jean Lucas, o zagueiro tentou rasgar o uniforme.